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  • Influência do exercício na imunidade

     

    O que é melhor, fazer ou não atividade física durante a pandemia?”

    A atividade física ou exercício físico (quando mais controlado na prescrição) de forma regular participa de maneira positiva nas defesas do organismos ou imunidade, principalmente por colaborar para um aumento dos linfócitos mais especificamente as células conhecidas como “natural killers”. A célula natural killer, linfócito ativo no sistema imune inato, tem a função de destruir células tumorais ou infectadas por vírus.

    Um contraponto importante para reflexão dos profissionais de Educação Física é saber identificar a diferença do que foi exposto acima das sobrecargas excessivas de exercícios, quer seja pela periodização errada de indivíduos já ativos, quer seja por um início muito agressivo de um novo programa de treinamentos para mudança de estilo de vida de sedentários ou grupos especiais. Em suma a dose ótima de treinamentos é fundamental quando pensamos em promoção de saúde e mudança de estilo de vida.

    Uma falha na prescrição pode provocar uma falsa impressão que o exercício faz mal, que provoca imunossupressão etc., o ponto fundamental e já extremamente validado pela ciência, exposto pela literatura atual é que o exercício faz muitíssimo bem a saúde e melhora muito a imunidade tão discutida nesse novos tempos que vivemos. Sendo assim destacamos aqui alguns pontos importantes sob a luz do ACSM (American College of Sports Medicine - Colégio Americano de Medicina do Esporte) e suas diretrizes mais atuais.

    "O sistema imunológico humano é uma rede altamente complexa de células e moléculas projetadas para manter o hospedeiro livre de infecções e doenças. Sabe-se que o exercício tem um impacto profundo no funcionamento normal do sistema imunológico. Ter escores mais altos para idade e sexo ajustados para a aptidão cardiorrespiratória e realizar exercícios regulares de intensidade moderada a vigorosa que se enquadram nas diretrizes do ACSM demonstrou melhorar as respostas imunológicas à vacinação, diminuir a inflamação crônica de baixo grau e melhorar vários marcadores imunológicos em vários estados de doenças, incluindo câncer, HIV, doenças cardiovasculares, diabetes, comprometimento cognitivo e obesidade. A pandemia de COVID-19 em andamento levantou muitas questões sobre como o exercício pode nos proteger contra infecções, aumentando a imunidade. Isso está se tornando mais pertinente, pois muitos de nós temos acesso restrito às academias e parques onde normalmente realizamos regimes de exercícios e atividades físicas". 
    Richard J. Simpson, Ph.D., FACSM | Mar 30, 2020

    No chamado “novo normal” para além da justificativa de melhora da imunidade provocada pela prática regular de atividade física, merece nossa atenção os efeitos deletérios do confinamento, principalmente interrompendo a rotina de exercícios, em tempo, destacamos aqui o aumento da produção e manutenção de up regulation dos glicocorticoides em especial o CORTISOL, o que fatalmente provoca um aumento do estresse, na esteira disso vem a inibição de várias funções do sistema imune, entre elas, a diminuição de multiplicação de células linfócitos T, diminuição da participação das células NK (natural killer) entre outros efeitos “colaterais” do confinamento, os chamados gatilhos mentais fruto das incertezas, ansiedade etc. Vale ainda ressaltar que para o caso de ser infectado pelo vírus (covid 19) com esse quadro supracitado podemos ter complicações resultantes desse transitório momento ruim do sistema imune.

    ENTÃO, QUAIS AS RECOMENDAÇÕES?

    Pensando na rotina de um programa regular de atividade física logo invertemos esse fiel da balança, todo o processo de defesa é beneficiado e as descargas de hormônios contrarreguladores são minimizadas e provocam níveis mais baixos de glicocorticoides e aumento considerável dos hormônios do bem estar do prazer e melhora considerável na qualidade de vida.

    Mais especificamente, conforme o ACSM, é preconizado o exercício dinâmico cardiorrespiratório ou contínuo, dentro do limiar que caracterize predominância aeróbia. Isso favorece deste a primeira sessão para o aumento das respostas das células do sistema imune que participam do reconhecimento e defesa contra “invasores”. Os programas regulares de prática de exercícios vão ainda promover um aumento das respostas de várias proteínas especialmente as citocinas derivadas de músculos, como IL-6, IL-7 e IL-15, e essas por sua vez, podem ajudar muito na manutenção da imunidade em sua melhor condição.

    O exercício resistido 2 a 3 vezes por semana, em intensidade 7/8 de uma escala de 10 sendo o máximo, 2 a 3 séries com um volume total de 6 a 8 exercícios multiarticulares, entre 8 a 12 repetições, pode entre outras coisas, conforme o ACSM 2019, favorecer para o tratamento e melhora da qualidade de vida de pacientes de muitas doenças, entre elas:

    1. a) Artrite
    1. b) Reumatismo
    1. c) Cancer
    1. d) Doenças cardiovasculares
    1. e) Depressão
    1. f) Diabetes
    1. g) Insônia
    1. h) Hipertensão
    1. i) Demência

    Segundo as diretrizes do ACSM o que pode favorecer para ser “saudável” é atividade 5 a 7 vezes por semana para indivíduos adultos (entre 18 e 65 anos) sendo de classificação aeróbia moderada, acrescidos de pelo menos mais duas vezes por semana de exercícios que garantam a manutenção ou melhora dos níveis de força. Para o caso de exercícios intensos limita-se em 20 minutos 3 vezes por semana, já para os exercícios aeróbios de moderada intensidade no mínimo 10 minutos de volume por sessão somando os 30 minutos diários preconizados para 5 vezes na semana.

    Enfim façamos exercícios e seremos mais saudáveis (principalmente neste tal chamado de no “novo normal”)

    Prof. Helvio Affonso


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