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  • Periodização bioflexível: desenho esquemático

     
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    Desenho esquemático do novo conceito de periodização do treinamento esportivo.

    A ideia central desta nova proposta é:

    Identificar o tempo todo (fulltime) o “PREÇO FISIOLÓGICO” de treinos e competições. Desta forma, encontra-se a menor relação entre a DOSE e a RESPOSTA do exercício, ou seja, quanto seria a menor dose capaz de provocar o menor impacto fisiológico e ainda assim capaz de produzir a maior performance possível.

    Revisando a partir deste último parágrafo, publicado no artigo anterior que retrata a ideia central da nossa proposta, passamos para a sequência já catalogando os pontos mais importantes que merecem nossa total atenção quando falamos de Periodização Bioflexível do Treinamento Esportivo:

    1. Entendimento mais aprofundado das valências físicas ou capacidades biomotoras (adotaremos somente essa segunda nomenclatura), sua integração, interdependência e a melhor distribuição na periodização;

    2. Entendimento mais aprofundado das vias energéticas, sua integração, interdependência, e ainda, suas implicações para as adaptações ótimas do treinamento esportivo, ou seja, ADAPTAÇÕES BIOPOSITIVAS;

    3. Entendimento dos mecanismos de fadiga para definição dos intervalos ótimos de recuperação e melhor distribuição das cargas de treino na periodização;

    4. Entendimento de como utilizar o monitoramento, as avaliações e o controle para determinação dos marcos críticos na periodização e, melhor distribuir as cargas de treino;

    5. Biomarcadores e sua utilização para o monitoramento do desporto.

    1. CAPACIDADES BIOMOTORAS

    A. INTEGRAÇÃO

    B. INTERDEPENDÊNCIA

    C. DISTRIBUIÇÃO NA PERIODIZAÇÃO

    Conhecer as capacidades biomotoras e suas formas de manifestação torna-se determinante para elaboração de um processo de monitoramento e planejamento do macrociclo de treinamento. É necessário evitar o treinamento concorrente que possa induzir uma adaptação bionegativa de forma aguda ou principalmente crônica, o que significaria depleção e queda de rendimento ao invés de supercompensação e maximização de performance.

    A combinação do treinamento de força com o treinamento de resistência é considerada um estímulo ideal para promover tanto ganhos neuromusculares quanto cardiovasculares (Cadore et al. 2012; Izquierdo et al. 2001; Mikkola et al. 2007; Silva et al. 2012). Entretanto, alguns estudos têm mostrado que o treinamento concorrente pode resultar em ganhos de força mais baixos em comparação com treinamento de força por si só. Esse fenômeno é o chamado "efeito de interferência" (Bell et al., 2000 ; Leveritt et al. 2003; McCarthy et al. 2002).

    Como em nossa proposta, Periodização Bioflexível, temos como base ou pilar principal a força. Qualquer trabalho que possa colocar em xeque uma condição ótima dessa capacidade biomotora fica fora de contexto. Importante ainda esclarecer que para além da força, visamos muito ao ganho de Défict de Força, que potencializa a produção de potência. Em tempo, esclarecemos que o Défict de Força nada mais é do que o delta de força dividido pelo delta de tempo:

    Deficit de forca.jpg

    De acordo com Monteiro e Lopes, 2015, são apresentadas as capacidades biomotoras e suas formas de manifestação de forma resumida, já destacando a concorrência em seções duplas (Monteiro e Lopes 2015).

    CONCORRÊNCIAS EM TREINAMENTOS COMBINADOS:

    CONCORRÊNCIAS EM TREINAMENTOS COMBINADOS (1).jpg

    2. VIAS ENERGÉTICAS

    A. INTEGRAÇÃO

    B. INTERDEPENDÊNCIA

    C. IMPLICAÇÕES PARA AS ADAPTAÇÕES BIOPOSITIVAS

    É de fundamental importância identificar quais as vias energéticas determinantes e quais as vias energéticas predominantes da modalidade em questão. A partir daí, faz-se necessário selecionar o potencial de cada via e identificar o nível de treinabilidade de cada atleta.

    A integração das vias energéticas e o desporto estão intimamente ligadas à recuperação e distribuição das cargas de treino, uma vez que a inversão e/ou excessiva carga priorizando uma das vias, sempre será em detrimento da integração das mesmas. Um bom exemplo é priorizar a via anaeróbia e concomitantemente ou logo após buscar trabalhos aeróbios de alta intensidade. Certamente a adaptação será bionegativa e comprometerá o programa. Em tempo, vale ressaltar que esta priorização pode ocorrer por falhas na identificação de limiares e/ou tolerâncias a volumes excessivos em cada uma das vias trabalhadas (aeróbia de baixa, moderada ou alta intensidades / anaeróbia lática ou alática).

    Destacamos que existem platôs para cada trabalho. Sendo assim, identificar se já está saturada a via para avançar ou recuperar o atleta é determinante. O monitoramento destas ações se faz por meio de marcadores específicos que abordaremos em outros artigos.

    Outro ponto importante é salientar que o platô estabelecido de potência aeróbia e sua manutenção a partir de trabalhos anaeróbios, é uma pauta ainda muito polêmica. Todavia, quando pensamos em cargas ótimas de treinos, não tem como não pensar em “economizar” a energia de treinos que posam ser descartadas do programa e/ou periodização do treinamento sem causar adaptações bionegativas.

    Amplamente consagrado pela literatura, a adaptação biopositiva, ou a melhora da capacidade aeróbia (oxidativa), é uma das principais adaptações musculares do treinamento de modalidades caracterizadas como de “endurance”, tais como corridas de fundo, meia maratonas, maratonas, triatlo, e outras atividades de maior duração (FLUCK, 2006). Essa adaptação biopositiva é decorrente do aumento na capilarização, no tamanho, número e eficiência de mitocôndrias, além do aumento da capacidade de utilização de ácidos graxos como substrato energético (MESSONNIER, FREUND, DENIS, FEASSON e LACOUR, 2006).

    Entretanto, o sucesso em provas mais longas, por exemplo, meia maratona, é determinado por quanto tempo o atleta consegue permanecer correndo em velocidades correspondentes a 85-92% da vVO2max (BILLAT, 2001). Em uma linguagem mais adotada por nós da Periodização Bioflexível: velocidades correspondentes aos LIMIARES ANAERÓBIOS.

    Outra reflexão valiosa que trazemos é acerca da via anaeróbia e sua relação com os níveis de Força Máxima. Falamos aqui daquelas atividades de curta ou curtíssima duração (lática e alática respectivamente), realizadas em alta intensidade, 135 a 160% do vVO2máx (BILLAT, 2001), com predomínio das vias anaeróbias como geradores de ATP durante o esforço.

    Destacamos que quanto maior a capacidade de recrutamento muscular e produção de força, maior o Déficit de Força, maior a potência, e por consequência, mais rapidamente a geração de metabólitos (ex. lactato) e decréscimo de energia (PCr). Vale destacar que a ressíntese dessa energia, mais especificamente fosfatos de alta energia (PCr) e a oxidação do lactato pós-exercício, ocorrem na pausa entre esforços intensos, portanto são totalmente dependentes de oxigênio (O2), e, limitados turnover de ATP mitocondrial via fosforilação oxidativa. (BALSOM, SEGER, SJODIN e EKBLOM, 1992; FITTS, 1994b; GREENHAFF e TIMMONS, 1998; IAIA e BANGSBO, ; MUJIKA, GOYA, PADILLA, GRIJALBA, GOROSTIAGA e IBANEZ, 2000).

    Helvio Affonso é doutorando em Ciências Farmacêuticas, professor universitário de Fisiologia do Exercício, mestre em Ciências Farmacêuticas, especialista em Treinamento Desportivo de Alto Rendimento e em Fisiologia do Exercício e educador físico. Campeão mundial 2015 e Campeão Olímpico Rio 2016 como fisiologista da dupla de vôlei de praia Alison e Bruno Schmidt e sócio da Appto.

    Arilson Silva é pós-graduado em fisiologia, professor de educação física, técnico olímpico de natação, com atuação nos Jogos Olímpicos de Beijing 2008, Londres 2012 e Rio 2016. Possui dois recordes mundiais, dois finalistas olímpicos, sete medalhas em mundiais e dois campeões mundiais.


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