Blog Appto


  • Periodização Bio-Flexível: integração e monitoramento do treinamento esportivo

     

    Em função do ineditismo do método, foi preciso alterar o nome do novo conceito de periodização do treinamento esportivo para Periodização Bio-Flexível.

    Neste novo artigo destacaremos alguns pontos críticos para a definição ou escolha da periodização ideal e ainda elucidar de uma forma geral as chamadas "cargas ótimas".

    Começamos pela reflexão da importância de um trabalho integrado do staff para definição da periodização do treino e, consequentemente, para a melhoria da performance e para a conquista de resultados efetivos. Embora pareça óbvio, é muito comum vermos a periodização ser exclusivamente de responsabilidade do técnico/coach/head coach.

    Ora, se temos um discurso atual e pertinente acerca da atuação multidisciplinar em favor das melhores performances, como poderíamos sustentar essa exclusividade de autonomia de tomada de decisão?

    O novo conceito de Periodização Bio-Flexível determina que somente em reuniões do staff se defina a periodização, assim como os ajustes necessários no decorrer da temporada. E mais, determina que as tomadas de decisão sejam sempre a partir do biomonitoramento, o que não se caracteriza em autonomia exclusiva de um dos integrantes do staff, mas sim de todo grupo a partir do feedback do "mediador", profissional responsável pelo biomonitoramento.

    Esse modelo de periodização proposto elimina as decisões empíricas ou baseadas somente no feeling de um membro do staff ou ainda fruto da reprodução de algum modelo que pode ter sido parcialmente certo e gerado sucesso. A partir dos indicadores fisiológicos (carga interna) concomitantemente à carga externa, a equipe conta com todas as informações necessárias para definir ações seguras, inclusive durante toda a temporada.

    Dessa forma, o método minimiza ou até elimina uma outra falha bastante comum: a utilização de alguma periodização por simples reprodução e ou demasiado respeito às periodizações já utilizadas em algum momento sem saber de fato se isso funcionará para o atleta. Podemos citar a seleção previa dos períodos, da duração e das intensidades. Começam aparecer nesse ponto os chamados "números mágicos";, que indicam quanto tempo cada capacidade ou valência física deve ser trabalhada, como por exemplo, 6 a 8 semanas para aquisição de força.

    Com a Periodização Bio-Flexível nós questionamos o porquê de não utilizar 1, 2, 3, 4, 5, 10 e etc. Um conceito prévio mal utilizado pode impactar diretamente no erro da determinação das cargas ótimas e por consequência facilitar a perda de performance por "cargas débeis" ou por overtraining.

    Os marcos críticos que de fato devem ser considerados para determinar cargas ótimas são:

    1. A performance atual do atleta na modalidade;

    2. As características (fisiológica e mental) do atleta frente às demandas das provas;

    3. A dinâmica competitiva (duração das competições e logística de viagens);

    4. O calendário de competições;

    5. A resposta via carga interna frente aos estímulos e aos resultados competitivos.

    Quanto maior a precisão do monitoramento e a determinação das cargas ótimas, maiores serão as possibilidades do atleta manter-se competitivo, em alta performance, durante toda a temporada.

    O atleta poderá se beneficiar de adaptações residuais e supercompensar em prol da alta performance por treinar respeitando a individualidade biológica e a especificidade da modalidade com baixo ou menor desgaste fisiológico quando comparado às "máximas predeterminadas".

    O monitoramento da aplicação das cargas de treinos trará informações importantes para o staff, como:

    Exercícios;

    Métodos de execução;

    Volume em repetições e séries;

    Intervalos propostos;

    Densidade de distribuição dos blocos;

    Qualidade técnica de execução associada às demandas metabólicas;

    Tempo de recuperação para os estímulos;

    Impacto fisiológico do somatório das atividades propostas nos ciclos de treinamento.

    Num pensamento multifatorial e multidisciplinar esse monitoramento também permitirá que outras áreas de suporte ao treinamento tenham feedbacks e que possam identificar as adaptações geradas a partir das prescrições e aplicações específicas. Podemos destacar aqui a nutrição, a preparação física, a fisioterapia, a medicina desportiva, a psicologia desportiva e qualquer outra atividade profissional que possa ser incluída no processo de treinamento.

    Se com a organização e a distribuição das cargas de treinos tivermos a produção máxima de performance, alinhadas com as metas e com o mínimo desgaste fisiológico, essas serão consideradas "cargas ótimas".

    Por fim, ressaltamos que se as cargas de treino permanecerem por um tempo maior, sendo aplicadas em níveis acima do ótimo, as chances de lesões, imunossupressão e doenças se tornam maiores, o que se confirmadas fatalmente trarão prejuízos a toda a preparação. Entretanto, se as cargas estiverem abaixo de um nível de stress que permita adaptações fisiológicas importantes, estaremos no caminho do “destreinamento” do atleta, o que traz danos para a performance.

    Em nenhum momento queremos sobrepor a palavra do técnico, pelo contrário, defendemos o respeito à individualidade biológica do atleta para que o trabalho multidisciplinar obtenha de fato sucesso.

    Em breve apresentaremos aqui mais artigos sobre a temática.

    Helvio Affonso é doutorando em Ciências Farmacêuticas, professor universitário de Fisiologia do Exercício, mestre em Ciências Farmacêuticas, especialista em Treinamento Desportivo de Alto Rendimento e em Fisiologia do Exercício e educador físico. Campeão mundial 2015 e Campeão Olímpico Rio 2016 como fisiologista da dupla de vôlei de praia Alison e Bruno Schmidt e sócio da Appto.

    Arilson Silva é técnico olímpico de natação, com atuação nos Jogos Olímpicos de Beijing 2008, Londres 2012 e Rio 2016. Recordista mundial com Felipe França 50m peito 2009 e Andrii Govorov 50m borboleta 2018; cinco medalhas em mundiais; finalista olímpico com Bruno Fratus 50m livre Londres 2012 (4° lugar); Felipe França semifinalista 100m peito Londres 2012 e Andrii Govorov finalista 50m livre Rio 2016 (5° lugar).


    Compartilhar:


    Comentários:


    Voltar

Kreato Desenvolvimento Web